Prisão não encerrou influência: aliados de Cabral e Paulo Melo seguiam na Alerj
A exoneração de mais de 200 servidores da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), publicada em edição extraordinária do Diário Oficial nesta terça-feira (6), evidenciou que pessoas ligadas a dois dos principais nomes da política fluminense — Sérgio Cabral e Paulo Melo — permaneciam na estrutura administrativa da Casa, mesmo após ambos já terem sido presos em investigações de grande repercussão no estado. Atualmente em liberdade, os dois seguem citados indiretamente no noticiário por meio das indicações que atravessaram diferentes gestões da Assembleia.
Segundo apuração do G1, do total de 206 exonerados, ao menos 47 eram indicações de Paulo Melo e 17 tinham ligação com Sérgio Cabral. As demissões ocorreram durante o recesso parlamentar e foram assinadas pelo presidente em exercício da Alerj, Guilherme Delarolli (PL). A edição extraordinária do Diário Oficial ganhou internamente o apelido de “caça-fantasmas”, já que a nova presidência da Casa suspeita que parte dos servidores exonerados não cumpria expediente.
A reportagem do G1 aponta que a Alerj historicamente funcionou com um modelo em que a antiguidade e as relações políticas garantiam espaço administrativo para aliados, mesmo após o fim de mandatos eletivos. Esse sistema permitiu que nomes ligados a gestões antigas permanecessem em funções relevantes por anos, atravessando diferentes presidências da Casa.
Entre os exonerados estão Susana Neves Cabral, ex-mulher de Sérgio Cabral, que estava lotada na Alerj desde 2016, e Marco Antonio Cabral, filho do ex-governador, nomeado desde 2023 para um cargo no departamento de arquivo da Assembleia. Ambos foram desligados na edição desta terça-feira. Também aparecem na lista aliados de Paulo Melo que, segundo o G1, ocuparam cargos vinculados à presidência da Alerj e permaneceram na estrutura administrativa por diferentes gestões.
Em nota ao G1, Paulo Melo afirmou que a exoneração dessas pessoas é um direito legítimo de quem está no poder e disse que seus indicados prestaram serviços relevantes enquanto estiveram na Casa. Sobre os 47 nomes ligados a ele que foram exonerados, declarou que se tratavam de colaboradores que deram continuidade ao trabalho desenvolvido. Já Sérgio Cabral afirmou que deixou a presidência da Alerj em janeiro de 2003, quando assumiu o mandato de senador, e que desde então não exerce qualquer ingerência sobre as decisões administrativas da Assembleia.
A demissão em massa tornou-se o principal assunto político do dia na Alerj e trouxe novamente à tona a permanência de indicações ligadas a figuras que, embora já tenham sido presas no passado, continuavam com nomes de sua confiança integrando a estrutura administrativa do Legislativo fluminense.

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